Birras, choro, gritos e cenas de mau comportamento de crianças em público costumam deixar os pais em pânico, constrangidos e irritados. Lidar com a situação nem sempre é fácil, mas existem 4 passos que você pode seguir quando seu filho dá trabalho e fica irreconhecível fora de casa. Conheça as dicas da palestrante, escritora e especialista em educação Elisama Santos:
Birra fora de casa: o que fazer com a criança
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1. O primeiro passo, segundo a especialista, é admitir e reconhecer que o comportamento e reação do adulto responsável pela criança no momento geralmente é influenciado pelo olhar do outro. As pessoas que estão ao redor, presenciando a cena de birra, não devem ser, no entanto, o foco da sua preocupação na hora de tentar controlar seu filho. Dar voz aos olhares alheios é uma das piores coisas que a gente faz, afirma. Ignore as pessoas. Foque em você e no seu filho e na melhor saída para vocês.
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2. Se a crise da criança é muito grande e persistente, saia do ambiente com ela. Simplesmente deixar o local onde está deixa muito claro aos presentes que você não quer e não precisa da opinião deles. Além disso, a medida ajuda a reduzir muito a pressão sobre você e sobre seu filho, deixando grande parte da tensão para trás.
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3. Respire fundo e procure se acalmar. Antes de fazer qualquer coisa, silencie a mente, especialmente se sua tagarelice mental insiste em te dizer que você é uma péssima mãe que não sabe educar, e que o seu filho é um pequeno problemático que só te envergonha. Fuja desse tipo de pensamento nocivo. Silencie a voz do julgamento e respire antes de qualquer coisa.
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4. Por fim, entenda que apenas depois de aprender lidar consigo mesma você será capaz de lidar com a criança. Quando nos acalmamos, nossa criatividade volta, assim como nossa capacidade de ouvir e conversar. Neste processo, a criança também se tranquiliza, principalmente quando o adulto transmite calma. Depois de ter se acalmado e entendido que a criança está aprendendo a lidar com seus frustrações e se manifesta através dessas explosões, pense na solução. Pode ser conversar, acolher, fazer combinados, mudar o foco da situação, etc.
Às vezes, colocar limites às crianças é difícil. Elas podem chorar, implorar e exigir o que querem. Você pode se sentir culpado por ter que dizer não, mas não desista, é hora de educá-los.
A psicóloga e especialista em relações familiares Eileen Kennedy-Moore explica que aprender a dizer não às crianças é uma grande responsabilidade e um processo importante, pois assim elas mesmas aprendem quando devem dizer não e estabelecer limite e respeito.
Kennedy-Moore é a autora da obra "The book of no" ("O livro do não", em tradução livre) e suas páginas destacam cinco situações que só admitem um "não" como resposta.
Quando dizer "não" à criança?
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1. Quando ela pode ferir outra pessoa (ou a si mesma)
Evitar danos é a primeira e mais importante razão para dizer não. Se você lhes oferecer uma opção, será mais fácil aceitar sua resposta. Por exemplo: "Não, você não pode pular na cama, pois pode cair ou bater em alguém. Se quiser pular, saia e pule no quintal".
2. Quando é um capricho e não uma necessidade
Embora o marketing queira nos convencer de que precisamos de tudo que é anunciado, não é aconselhável comprar tudo o que você gosta. Você não precisa comprar tudo o que seus filhos querem no supermercado. Você pode reconhecer algo que eles gostam sem ter que comprá-lo. "Não, eu não vou comprar aquele cereal, eu entendo que é o seu favorito, eu também gosto muito, agora vamos comprar o que está na lista".
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3. Quando os planos mudam
Nem tudo acontece como planejado. Uma maneira de compensar o inusitado é ensinar como fazer planos para que isso aconteça novamente. "Não, nós não vamos ao cinema hoje, sua avó ligou para nos convidar para jantar. Podemos ir amanhã".
4. Quando as necessidades de outra pessoa são (temporariamente) mais importantes
As crianças pensam que são o centro do universo. Você pode ajudar o pequeno a perceber que existem outras pessoas com necessidades. "Não, você não pode ir brincar com seus amigos no sábado. Vamos ver a vovó, que se sentiu mal, e nós queremos visitá-la para mostrar que nos preocupamos muito com ela".
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5. Quando algo é contrário aos seus valores
Talvez. por um momento, você se sinta a mãe mais impopular do mundo, mas a única maneira de ensinar seus filhos a respeitar valores é ser firme sobre isso. "Não, eu não vou te comprar essas armas de brinquedo ou videogames violentos porque não acho que eles sejam apropriados. Não vou permitir esses jogos em casa".
Claro, seu filho não vai te agradecer por dizer não (pelo menos não imediatamente), mas, às vezes, dizer-lhes não é o melhor que você pode fazer por eles.
Choros insistentes, cenas de escândalo em lugares públicos, gritos desafiantes, enfim, as características de uma birra infantil deixam pais de cabelos em pé e até mesmo surpresos com a capacidade dos pequenos de tirar qualquer um do sério.
As birras do seu filho são importantes e fazem bem para ele, já que são fundamentais para o desenvolvimento das crianças. Mas é preciso, claro, impor limites. Como fazer isso sem perder a paciência ou desrespeitar os pequenos?
Dicas para acabar com a birra dos filhos
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De acordo com o pediatra Reginaldo Freire, as teorias de disciplina positiva, desenvolvimento neurocompatível e criação com apego ajudam a colocar limites e educar com segurança e firmeza sem, no entanto, mimar a criança.
O primeiro passo é trabalhar a tranquilidade e a paciência. Respirar fundo e transmitir calma à criança ajuda a acabar com a birra, ao contrário dos gritos e das broncas que confundem ainda mais o pequeno e, consequentemente, aumentam o choro. Não é fácil, requer prática, mas não é impossível.
Durante uma birra, procure explicar à criança, com firmeza e seriedade, por que negou o que ela queria. Pode parecer que elas não entendem, mas são, sim, capazes de compreender a mensagem, sem agressões.
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Abrace seu filho. No momento da birra, o sistema nervoso simpático da criança está agitado e descontrolado, o que eleva o hormônio de estresse. O abraço pode estimular a produção de ocitocina, o hormônio do bem-estar, que vai atuar como o freio do comportamento ruim, ajudando o pequeno a dosar as emoções que está sentindo.
Se as birras são frequentes e ocorrem dentro de casa, experimente estabelecer uma rotina estável. O comportamento acontece em momentos de adaptação, como na hora banho, de dormir, de se alimentar. Manter uma rotina torna as situações mais familiares, evitando o estranhamento dos processos.
A longo prazo, os pais precisam entender que paciência e persistência são fundamentais para educar a criança e evitar os castigos.
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O processo é difícil e trabalhoso, mas quando você ensina seu filho de forma respeitosa e sem agressões, faz com que ele seja capaz de conhecer sozinho os caminhos certos e agir de forma adequada mesmo quando você não está presente
Educar filhos não é uma tarefa nada fácil e, algumas vezes, mesmo sem saber, pais cometem erros que podem afetar o desenvolvimento físico, mental e emocional das crianças. E saiba que até mesmo frases aparentemente inofensivas podem prejudicar a autoestima do pequeno em fase de crescimento.
Todas essas expressões traduzem uma realidade dura e muito difícil de ser transformada para uma criança. Muitas vezes, ela cresce ouvindo essas verbalizações e se transforma em um jovem ou em adulto problemático, afirma a especialista.
Saiba quais são as frases negativas e entenda por que elas podem detonar a segurança do seu filho:
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"Seu irmão (amigo, primo, etc.) foi muito melhor do que você na prova"
"Tudo o que você faz é feio"
"Você parecia um bobo/idiota" (em determinada situação)
"Seu primo é mais bonito/inteligente do que você"
"Se você continuar comendo desse jeito, vai ficar gordo e explodir"
"Vai pentear esse cabelo ruim"
"Meu sonho é que você um dia seja magra"
"Só podia ser você…" (para alguma situação que sai do esperado)
"Você não sabe pensar"
"Você não leva muito jeito para isso..." (esportes, habilidade manuais, etc.)
"Você não sabe fazer nada direito"
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De acordo com a psicóloga, os responsáveis, ao depreciar uma criança e compará-la com o outro, colocando-a em posição inferior, fazem com que ela se sinta menos importante e menos capaz. Essas sensações interferem diretamente na construção da autoimagem e da autoestima dos pequenos.
Não existe um modelo ideal de criação de filhos e erros na crianção são comuns e involuntário na maior parte das vezes. No entanto, uma dica valiosa para conseguir ponderar as atitudes equivocadas, segundo a profissional, é se colocar no lugar da criança e se fazer a pergunta: "eu gostaria que estivessem fazendo isso comigo?".
Você deixa ou mesmo incentiva seu filho pequeno a realizar simples tarefas domésticas no dia a dia? A pergunta pode soar banal, mas a resposta pode dizer muito sobre como a criança desenvolverá seu caráter no futuro.
Pelo menos é o que garante Deborah Gilboa, pediatra e especialista em desenvolvimento infantil que, em uma palestra no Tedx, defendeu a ideia de que crianças devem contribuir para os afazeres domésticos desde cedo. Os argumentos da profissional são bastante contundentes e certamente vão te fazer refletir.
Por que crianças devem fazer tarefas domésticasIAKOV FILIMONOV / SHUTTERSTOCK
Deborah começa sua palestra afirmando que a realização de tarefas domésticas é uma das mais importantes bases para a formação de caráter ainda na infância. Ela revela que, ao conversar com um grupo de pais ricos, soube que a grande maioria deles, quando crianças, ajudava na casa com afazeres como limpeza, cozinha, lavagem de roupas, entre outros.
No entanto, apenas quatro dos 1.500 pais presentes no encontro permitiam que seus filhos realizassem os mesmos tipos de tarefas. Segundo a especialista, os pais diziam que as crianças já estavam sobrecarregadas, com trabalhos de escolas e participação em esportes e clubes, por exemplo.
Em essência, os pais estariam preocupados demais com destaque dos filhos em áreas acadêmicas e em conquistas “úteis”, ignorando fatores importantes no que dizem respeito à moral e às boas maneiras.EVGENY ATAMANENKO/SHUTTERSTOCK
"À medida que nossas expectativas aumentam em relação às realizações, nossas expectativas caem simultaneamente sobre o caráter da criança. Os adultos estão dispostos a tolerar, desculpar e até promover comportamentos que prejudicam essas pessoas que amamos", diz a especialista. Expectativa e recompensaMONKEY BUSINESS IMAGES/SHUTTERSTOCK
Deborah ainda aproveitou para ilustrar sua ideia com uma passagem de sua própria vida. Um de seus quatro filhos que nunca havia se esforçado muito na feira de ciências da escola finalmente se dedicou e ficou em terceiro lugar na competição.
Ela e o marido ficaram orgulhosos do filho por ele ter se esforçado e conquistado destaque, mas logo depois perceberem que algo estava errado: o garoto zombou de outro aluno de sua sala que havia apresentado um projeto ruim.IVAN MARJANOVIC/SHUTTERSTOCK
Por causa da atitude, a profissional repreendeu o filho, que não entendeu a decepção da mãe. Para o menino, ela deveria estar contente por sua conquista. Segundo a profissional, ele simplesmente não foi capaz de compreender que ela estava frustrada por causa da crueldade dele com o colega.
“Quando enfatizamos ao nosso filho a importância de fazer um ótimo trabalho, ele considerou que essa era a nossa maior prioridade. Subconscientemente, a criança entendeu que seu sucesso era a única coisa que valorizávamos”, afirmou. Foi assim que a especialista se deu conta de que precisava tirar a ênfase da conquista e colocá-la em sua conduta. Formação de caráter das criançasSUNNY STUDIO/SHUTTERSTOCK
De acordo com Deborah, uma criança que não tira o lixo porque está “muito ocupada” pode não entender que quem eles são é mais importante do que aquilo que alcançam, e que a moral é necessária para ajudar a resolver os problemas que enfrentará no futuro.
As soluções para nossos problemas não dependem de ótimas pontuações em provas, mas sim de pessoas de bom caráter que, quando se deparam com algo errado, perguntam: “O que eu posso fazer em relação a isso?”, explica a profissional.SEWCREAM/SHUTTERSTOCK
A pedagoga diz ainda que é preciso mudar um pouco o foco e se concentrar na formação de caráter das crianças. Assim, as conquistas virão naturalmente no processo. Em vez de fazer a tradicional pergunta “o que você quer fazer quando crescer?” devemos questionar: “quem e como você quer ser?”.
Deborah ressalta que não espera que a sociedade diminua sua expectativa em relação a conquistas acadêmicas, apenas quer que as pessoas entendam que todos os tipos de conquistas devem ser levados em consideração nessa métrica. Pais não são responsáveis pela felicidade do filho
A especialista conta que percebe que os pais passam muito tempo se preocupando com a felicidade de seus filhos, o que é natural, mas explica que a felicidade deles não é realmente nossa responsabilidade, mas o caráter deles é.SOFI PHOTO/SHUTTERSTOCK
Quando focamos no caráter de nossos filhos, eles realizarão coisas significativas e provavelmente encontrarão sua própria felicidade. Mas o contrário não é verdadeiro. “Aos se concentrar somente nas realizações e na felicidade imediata de nossos filhos, é mais provável que eles se tornem idiotas, nunca sabendo que esse não era nosso objetivo”, concluiu.
Assista no vídeo abaixo (em inglês) à palestra de Deborah Gilboa no TEDx, na íntegra:
Muitas vezes quando temos problema de relação com um dos nossos pais ou até mesmo com os dois, isto acontece porque rejeitamos partes de nós mesmos. Por vezes a cura passa pelo afastamento físico.
Ao te afastares fisicamente, e se estiveres atento...
vais começar a ver espelhado na tua relação com o mundo o teu pai ou a tua mãe interna. Eles vivem em ti sentados majestosamente nos teus construtos profundos nas tuas ações instintivas nas tuas feridas no teu corpo no amor que pulsa no teu peito e na energia que te anima a alma.
só quando conseguires identificar onde e quando eles se manifestam no teu quotidiano estarás preparado para começar a fazer as pazes internas primeiro contigo mesmo e depois com a tua arvore familiar.
Ao inicio podes apanhar um susto, ao perceberes que és um espelho exato daquilo que criticas neles mas a consciência plantará dentro de ti a verdadeira mudança o despertar levarte-á a um caminho de união mas lembra-te que é um processo extremamente lento e solitário a ferida estará curada quando a presença deles não causar qualquer tensão em ti quando conseguires lidar com eles de forma amorosa e em gratidão pelo presente maravilhoso que é estar vivo.